domingo, 9 de agosto de 2009
Sou.
domingo, 2 de agosto de 2009
Organizando-me ;
Desabafo!...
PS: decifra-me (ou devoro-te)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Quando apanho gente que diz que não está para se apaixonar ou, pior, que "não tem tempo", rio-me. A paixão controla-se, mas só até um certo ponto. Depois somos todos um fiasco ou uns garanhões. Quando me separei para ir viver o meu jogo, seduzida que estava, deparei pela primeira vez com o fracasso. Eu julgava ter o meu apaixonado 'na mão', mas ele, sem rodeios, deu-me com os pés. Ainda bem, penso eu agora, e não é uma saída airosa para a desgraça passada. O rapaz serviu só para eu me lançar no mercado e nunca seria um bom companheiro (nem amante!) para mim. Ainda há dias dizia a uma amiga desgostosa com o amor: porque é que não havemos de olhar para o fim das relações como o início de qualquer outra coisa significativa nas nossas vidas? Porque é que o fim tem de ser sempre a desgraça, a fossa, o abismo? (...) Estarei a ficar 'freak' com estes pensamentos? O que é certo é que a minha amiga não tugiu nem mugiu. Deve ter pensado: "É muito fácil pensar, mas passar por elas..."
Eu já passei por elas e por eles e, olhando para trás, o que vejo é sempre a mesma história, os meus erros, a mesma ansiedade. Repetimos até à exaustão o que julgáramos já ter aprendido. A paixão cega e, pior de tudo, torna-nos vulneráveis. Esse estado de graça que pode ser a vulnerabilidade tem o seu quê de trágico quando não é correspondido. Dois amantes vulneráveis e em paixão equitativa choram e vêem o mundo de outra forma. Quando só um deles está frágil, o mundo pode ser um lugar muito injusto. Essa coisa da vulnerabilidade, que nos homens se disfarça melhor, nas mulheres é uma catástrofe. (...)
A vulnerabilidade é um vírus. E os cientistas ainda não descobriram a cura que nos salve. Ainda assim, antes doentes que sem tempo para amar."
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A morte de uma relação começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem ao que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mencionado, mas que tem o seu valor,pois é o lado mais importante do ser humano... "
Tornei-me vulgar e deixei a minha vida ser guiada por isso. Foi então que tomou a rota errada e embateu no sítio certo. Previ o fim da estrada antes dela acabar e deixei-me ir. Nunca travei para não fugir. E assim que o precipício chegou comecei a cair... A cada centímetro do meu corpo era acrescentado um valor de nojo e sempre que podias avisar-me que havia um pára-quedas para evitar a queda bruta não o fazias. E acompanhavas-me na queda como se sentisses necessidade de me proteger, culpa. Contemplavas-me enojado, mas não conseguias afastar os olhos. A uns segundos do chão puxaste o teu pára-quedas e subiste pela inércia do ar... Deixaste-me cair. Pensei que pelo menos tentasses evitá-lo. Não doeu a queda, doeu a atitude... Salvaste-te com uma subida tão rápida e com um ar de superioridade tão repreensível que não deixaste dizer-te... Aquilo que eu fui para ti, foi porque tu quiseste que eu o fosse e tu foste igualzinho para mim. A diferença é que eu não te fiz sentir mal por isso. Consciencializa-te que somos fracos, mas tu és mais. A repulsa não é tua, é nossa. O ser imundo não sou eu, somos nós.
Agora resta-nos ouvir o inaudível. Há uma outra relação para manter. (Espero eu)
Sempre foi assim...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Falar de mim...

Não sei bem quem sou, não sei bem por onde ando! A maior parte do tempo estou só... Quero aproveitar o bom da vida sem que para isso precise de me preocupar demasiado... Tento ter sempre como palavra de ordem 'relax' porque não quero fazer tempestades em copos de água... Quero descanso, paz e harmonia. Naturalmente, sou algo melancólica: gosto de pensar e repensar na vida e sou bastante romântica! Deixo-me sempre levar pela doce amargura de um coração partido. No amor sou muito centrada na vida a dois e no outro. Gosto de recordar os bons momentos, de me emocionar de surpreender. Sou dada a amores platónicos... Tenho uma tendência irresistível para amores impossíveis e para perpetuar paixões mantidas em segredo pela minha timidez e insegurança. Sou criativa até na maneira de proclamar o meu amor e estou sempre a pensar em novas maneiras de surpreender... Sou doce e sensível e gosto de dar atenção à outra pessoa. Sou muito descontraída e divertida, mas nas relações gosto de sentir compromisso e seriedade. Penso muito no passado e isso impede-me de seguir em frente. Gosto de ter momentos de comunhão com o outro e ter umas boas taquicardias resultantes de momentos inesquecíveis e arrebatadores! Sou apreciadora do amor por si só e não necessariamente por ser correspondido... Não sou muito ambiciosa... Valorizo o que de bom me acontece e tento sempre não ter mau perder. Normalmente sou levada pelas minhas emoções mais do que pelo meu lado racional. Gosto de ser simpática, de conversar, de me divertir e conviver mas tento passar despercebida... sou sensível mas não gosto de partilhar isso com os outros. Gosto muito de trabalhar em equipa, tenho espírito de camaradagem e adoro dar uma boa gargalhada.. Posso parecer um pouco bizarra por ter explosõezitas inocentes e também pode parecer que tenho uma frieza assustadora. Não é verdade... Mas normalmente faço para que mereçam a minha confiança... Para terminar: Acho que 'Os momentos ideais não existem, temos de ser nós a fazê-los! Ou arriscamos e saltamos para o poço ou ficamos apenas a olhar e a pensar como seria "O País das Maravilhas".'
E chamo-me... Daniela Rebelo... Muito Prazer!
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Eduardo Sá!

-Claro que queremos a pessoa toda só para nós. E por isso mesmo custa-me a perceber que o ciúme faça bem. O ciúme faz doer, cansa, e pode mesmo ser destrutivo.
-Se formos espertos, sabemos que o ciúme nos ajuda a perceber que, se dividirmos um bocadinho da pessoa de quem gostamos muito com mais alguém (só um bocadinho), saímos a ganhar. E sempre que não toleramos dividi-la, isso não quer dizer que não tenhamos dúvidas sobre ela, mas que estamos tão inseguros do que valemos para ela que mais vale não a deixar fazer quaisquer comparações porque, senão, perdemos a taça para o mais enfadonho dos companheiros do mundo.
-Mas o que é isso de dividir a pessoa um bocadinho?
-Dividir um bocadinho é perceber que uma pessoa só tem de ser toda nossa quando não faz parte de nós.
-Bom, e depois há aquelas pessoas que respiram ciúme, que se alimentam de ciúme, que são só ciúme, e destroem qualquer relação.
-O ciúme é humano. O delírio de ciúmes é demoníaco. Essas pessoas são pessoas doentes. Pessoas certamente tão marcadas por inúmeras decepções que, para não enlouquecerem com tudo o que as leva a desconfiar do que sentem, desconfiam compulsivamente de quem gosta delas.
-Provavelmente são pessoas com uma auto-estima tão pequenina, tão pequenina, que dificilmente conseguem acreditar que alguém possa, realmente, gostar delas e só delas. Mas quando não é patológico , o ciúme pode ser uma espécie de acendalha de uma relação. Uma chamazinha de ciúme põe-nos em causa, e isso faz com que não nos deixemos "dormir em serviço". Sentir o tapete fugir-nos levemente por debaixo dos pés pode ter essa grande vantagem de nos estimular, não é? De tentarmos conquistar - todos os dias - a pessoa de quem gostamos.
-É. sobretudo porque o ciúme é uma forma de dizermos por outras palavras: "Tenho medo que não gostes de mim!"
-O dia tem 24 horas... Se ele (ou ela) tiver uma paixão de 12 em 12 horas, isto dá...730 paixões por ano! Agora, a sério: Um adolescente devia ter imensos flirts, muitas paixões e alguns namoros. E os namorados, só dão inquietações e insucesso escolar?
-Não, absolutamente! Os namorados dão inquietações, dão insónias, podem dar algumas desatenções nos estudos, mas são o melhor que há para crescer com saúde. Porque é que os adolescentes falam mais facilmente com um amigo ou com uma amiga, por exemplo, do que com o pai ou com a mãe?
-Porque só contamos o mais secreto dos nossos pensamentos a quem desvenda os segredos do nosso coração.
-Ora essa! E quem melhor que o pai ou a mãe para nos conhecer e desvendar o nosso coração?
-O melhor amigo. A confidente. A namorada. Sabe porquê? Porque, para muitos pais, o coração dos adolescentes é um "abre-te sésamo" sem password.
(...) Quando alguém diz - por palavras, actos ou omissões - "não gosto de ti!", está a dizer:"Luta por mim!"... Duas vezes."

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
“Diário da tua ausência”
“Nietzsche, que tinha tanto de louco como de sábio, escreveu que a grandeza de um homem está em ser uma ponte e não uma meta. Mas ninguém consegue construir uma ponte sozinho, nem carregar um piano, nem mudar uma casa, por isso aprendi algo mais difícil: aprendi a ficar quieta quando aquilo que mais quero e desejo não depende só de mim. E com essa nova e preciosa lição veio a paz, a tranquilidade, a harmonia dos dias sossegados e das noites de sono profundo. Aprendi muito contigo, com certeza mais do que possas imaginar. Aprendi com os meus erros, porque é quando se perde que a lição é mais importante. Devia ter ficado quieta mais vezes, devia ter respeitado o teu silêncio e o teu espaço, deixar-te em paz em vez de te pedir o mundo, porque iria sempre amar-te, estivesses ou não ao meu lado, porque fazes parte de mim, mesmo sem saber se és a primeira ou a última peça do meu dominó, mesmo sem saber se o vais pôr de pé ou deitá-lo abaixo.O amor tem o seu próprio mistério, tentar desvendá-lo é um erro, tentar apressá-lo um crime. Se um dia destes te apetecer voltar para os meus braços e construir um sonho comigo, podes bater à porta porque estarei por aqui, mergulhada numa paz tranquila e nova que me ensinaste sem saber. O amor é mesmo assim: damos aos outros o nosso melhor sem sequer o saber. E tudo o que damos nunca se perde, nada se perde, apenas se transforma e se guarda numa caixa que só o futuro conhece e desvenda. (…) Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.”
Margarida Rebelo Pinto
Elogio ao Amor
“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
(Miguel Esteves Cardoso)
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Todo o presente espera pelo passado...
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 5'
Let it rain ...
Let it Rain - Amanda Marshall
"I have given, I have given
And got none
Still Im driven by something I cant explain
Its not a cross, it is a choice
I cannot help but hear his voice
I only wish that I could listen without shame
...
I have been a witness to the perfect crime
I wipe the grin off of my face to hide the blame
It isnt worth the tears you cry to have a perfect alibi
Now Im beaten at the hands of my own game
...
It isnt easy to be kind
With all these demons in my mind
I only hope one day Ill be free
I do my best not to complain
My face is dirty from the strain
I only hope one day Ill come clean
...
Come take my hand
We can walk to the light
And without fear
We can see through the darkest night
...
Let it rain
Let it rain on me
Let it rain, oh let it rain
Let it rain on me"
"Nas relações amorosas o único sentimento que não funciona é o da piedade. Quando é o caso de que se devesse manifestar, o que surge não é a piedade mas o asco ou a irritação. Eis porque em relação alguma se é tão cruel. Todos os sentimentos têm o seu contraponto. Excluída a piedade, a crueldade não o tem. Por experiência se pode saber quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso de nada vale quando se não ama quem nos ama: é-se de pedra e implacável. Decerto, tudo se pode pedir e obter. Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas só no amor se é intolerante e cruel. Porque mostar amor a quem nos não ama rebaixa-nos a um nível de degradação. E a degradação só nos dá lástima e repulsa. A única possibilidade de se ser amado por quem nos não ama é parecer que se não ama. Então não se desce e assim o outro não sobe. E então, porque não sobe, ele tem menos apreço por si, ou seja, mais apreço pelo amante. O jogo do amor é um jogo de forças. Quanto mais se ama mais fraco se é. E em todas as situações a compaixão tem um limite. Abaixo de um certo grau a compaixão acaba e a repugnância começa. Assim, quanto mais se ama mais se baixa na escala para quem ao amor não corresponde. "
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 3'
terça-feira, 2 de setembro de 2008
« Tocas no rosto enquanto o ar não sai Inspiro sem medo do acto que vem
Envolvo os pés com as mãos
Do toque nasce a nossa ilusão
Desenhas os risos de um novo medo
Que o peito demonstra sem qualquer sossego
Faz tempo que a culpa se foi
Ficámos de pensar só depois
Do erro.
Já pouco nos resta fechar os olhos
Escondemos actos sem qualquer receio ou angústia
Que nos prende a vontade de sentir
O corpo com prazer
Rasgas-me a roupa sem qualquer pudor
Enquanto buscas o ar pela boca
Passeias o teu cheiro no meu corpo
Por entre os braços misturo tudo
Após o prazer ficaremos mudos
Sem saber
Se é por uma noite
Grito o teu nome sem saber
Como será o amanhã
Foi um sonho real
Por uma noite »
Klepht - Por Uma Noite
domingo, 3 de agosto de 2008
É para ti, para ti e para ti. É para ele, para ele e para ele... Enfim.. é para quem conseguir enfiar a carapuça!
sábado, 28 de junho de 2008
Pablo Neruda
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...
Pablo Neruda - Talvez
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefónica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
O seu santo nome - Carlos Drummond de Andrade
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
O seu santo nome - Carlos Drummond de Andrade
Cecília Meireles - Tu tens um medo
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efémero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.
Cecília Meireles - Tu tens um medo